e a grande pergunta: quem sou eu?

lucas e revista

um caminho, de muitos, a se percorrer... uma força, talvez... um convite à solidão... voltar-se para si, e ecoar

terça-feira, 22 de junho de 2010

"Entendo que a poesia é negócio de grande responsabilidade, e não considero rotular-se de poeta quem apenas verseje por dor-de-cotovelo, falta dinheiro ou momentânea tomada de contato com as forças líricas do mundo, sem SE entregar aos trabalhos cotidianos e secretos da técnica, da leitura, da contemplação e mesmo da ação. Até os poetas se armam, e um poeta desarmado é, mesmo um ser a mercê de inspirações fáceis, dóceis às modas e compromissos'".

Carlos Drumond de Andrade

na verdade nem sei se foi ele, mas onde eu achei dizia que foi

quinta-feira, 10 de junho de 2010

ontem, pelo menos, eu aprendi a beber cachaça.
a cachaça de matéria, com muito álcool e me deixa tonto...
na vida bebo uma cachaça ao contrário
digo de um relacionamento em que se gostem
os primeiros goles, não difíceis, mas embriagantes
o tempo passa, você vai bebendo e sentindo mais a sem-graceza do real
começo a beber cachaça, e no começo eu acho ruim....
me envolvo muito - casal, cambaleo, o começo ótimo, ao fim vomito.
a semelhança: começo e meio varia entre começar e meiar pelo bem e pelo mal, mas, pelo fim, se exagero em um ou noutro, estou ruim
ganho sempre se pondero
ssiga aqui quem não se importa em seguir rascunhos; hora ou outra crio outro que só leve os que eu considero prontos; aí eu faço propaganda.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

época de pseudo-banda - das antigas (ainda sem título) II

venha para mim,
que hoje a noite está mais fria
vem mais que sempre
e com os braços mais abertos
vem porque meu samba te espera

vamos tocar o pandeiro, o violão
a cuica e o cavaquinho
venha
e dê sua voz pra mim

cada instante com você é mais quente
você mexe devagar
e como mexe bem
e se demora?
me esfrio mais que um luar

se vem de dia,
você é o meu sol a gente conversa e dança
à noite
é melhor que é mais juntinho (é melhor)

vem...
vamo tocar o cavaquinho, (vem)
está te esperando o violão
fiz a barba, ajeitei o cabelo, com meu melhor sorriso (vem)
hoje eu pego na sua mão

você canta mais que as sereias
que toca, que me maravilha, o violão
vem pro samba, hoje, menina
deixa eu pegar na sua mão

época de pseudo-banda - das antigas (ainda sem título)

eu estive na sua,
já faz muito tempo
eu tava verde...
agora eu penso e vejo minha chance,
você não escapará

então vem!!!
que você já me quer,
vem e nunca mais vá
faça o que tem que fazer
faça comigo,

eu sei que você não resiste
e faça denovo, do jeito que eu sempre quis
faça como sempre fez
apareça com aquele biquíni,
e faça charme sem querer

mas vem!!!
que você não resiste,
vem!!!
meu barulho te ganhou

quando você me via todo dia,
eu pra você era bobo...
mas há tempo que você não me vê
agora quando me vê, eu sou um possível fã
como você gosta!

agora sou muito mais
agora sou mais que você sonhou
como eu te pego e te olho,
não tente que não consegue fugir

eu te dou atenção como ninguém deu,
te ouço como você não quer
às vezes não te dou atenção
nunca falo o que você quer

seus braços e sua cintura,
tudo que vem de você,
seu sorriso com a língua pra fora
é tudo que eu quero ter

mas não, não vou declarar...
te ganho com pinta de cafajeste
se não te falo o que você quer escutar,
te ganho mais

você sabe que o que eu sou é o que você sempre quis
que você não tem como escapar
suas amigas não me querem pra você
e você naõ quer nem saber
o ser marginaliza a gente, pensa que a está ajudando.
é melhor quem obedece melhor;
eu nunca bati de frente, nunca briguei - exceto nas últimas que já tava na tampa!
vem me dizer que me ajudou
ajudar: dar apoio? socorrer? facilitar?
me ajudou de quê!
tudo que eu fiz foi tentar fugir; fugi constantemente...
quando precisei e pedi, aí a tive, mas já estava ajudando um marginal esclarecido
agora, que inda faço pela margem...
me ajuda de quê?
eu sofro um olhar de cima;
estou sempre meio humilhado
e insistir para conviver?
que maluquisse é essa? pois só se entendem de longe.
mas não diga que me ajuda, nem que me entende, porque não faz nem um nem outro
eu creio e muito na sua vontade e na sua ânsia em me ajudar,
como acredito que um poeta sem inspiração sente, mas não consegue fazer versos,
para ajudar, preocupar em compreender
e você sempre teve muito a oferecer, mas não preocupou em receber
os pais deviam aprender mais com os filhos,
ou os adultos com as crianças...

há tanto que me sinto marginal
eu, agora, assumi a minha própria marginalidade,
não quero me convencer e nem ouvir;
quero ser como sempre fui torto, mas agora sabendo
ser inteiro e isolado
ser para mim, pelo que quero ser,
para ser, realmente
me entenda quem queira entender,
mas não ligo muito se compreende

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o outro me disse certa vez:
você é medíocre, e concertou,
não você, mas você leva uma vida medíocre
mal sabe dos suspiros que me cortam o peito, que nunca vi igual
mal sabe que todos os dias meus pensamentos traspassam montanhas,
e que eu sinto o mundo inteiro entre meus ouvidos

mal sabe que estou para o grandioso, que assim vivo
mal sabe que em mim construo dez andares por dia,
a ele tudo que faço é invisível
ele até me percebe uma cabeça afortunada,
mas não me vê os objetivos e nem sabe que os tenho

ele vê o que eu poderia ter
vê como eu me desperdiço
me vê num vagaroso suicídio
mal sabe que a cada dia mais vivo e que o caminho que escolhi me leva onde ele nem pode pensar;

parece a ele que só acerta quem segue as regras
e não consegue saber que cada um faz as suas
a ele só existe a regra dele,
já do que ele vou mais longe,
por saber do que todos dizem e poucos sabem
que pra cada cabeça há um guia
pode parecer bonito, mas esses, que são mesmo para um bem romântico, não servem pra nada; esses a tudo veem belo, ou possível de ser; para conhecer uma pessoa, o mundo, não se pode ser iludido. tem que saber do mal e se importar pouco.